BEI ajuda câmaras a pagar dívidas em atraso

JORNAL DE NEGÓCIOS

BEI ajuda câmaras a pagar dívidas à Aguas de Portugal

 

O Banco Europeu de Investimento acordou com a AdP um financiamento até aos 420 milhões de euros. Deste valor, há 200 milhões que podem vir a ser utilizados pelas autarquias para saldar dívidas que têm à empresa pública.

O Banco Europeu de Investimento (BEI) está disponível para financiar as autarquias com dívidas à Aguas de Portugal (AdP). Deste modo, poderá ser saldada a quase totalidade da dívida das câmaras ao grupo responsável pelo abastecimento de água no país.
Actualmente a dívida vencida das autarquias junto da AdP fixa-se nos 230 milhões de euros. Por sua vez, o BEI tem disponibilidade para emprestar até 200 milhões de euros. O processo terá de ser negociado "caso a caso" e espera-se que seja lançado durante o próximo ano. As câmaras que chegarem a acordo com o BEI para acederem ao empréstimo comprometem-se apagar o que devem à Aguas de Portugal.
Para João Nuno Mendes, presidente da AdP, esta solução poderá contribuir para resolver o "problema histórico das dívidas dos municípios" às empresas abastecedoras de água que integram o grupo, explicou esta terça-feira na assinatura de um contrato de financiamento com o banco europeu.
No evento marcou também presença o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. O governante preferiu não alargar-se - pela proximidade às eleições autárquicas - no comentário a esta realidade, mas considerou "indesculpável que em cada município não seja cristalino e transparente o custo com o sector da água" bem como as receitas associadas a este negócio.

Plano já está no terreno
Este financiamento de 200 milhões de euros, que se pode concretizar na totalidade dependendo dos acordos alcançados com as autarquias, representa a segunda parte de um empréstimo de 420 milhões de euros assinado entre o BEI e o grupo AdP, com um prazo de 25 anos. A primeira tranche é directa e fixa-se nos 220 milhões de euros.
No seu todo, o empréstimo, feito ao abrigo do Plano de Investimento para a Europa, mais conhecido como Plano Juncker, cobrirá quase metade do plano de investimento de 880 milhões de euros previsto pelo grupo até 2020.
A expectativa é de que sejam criados 7.400 postos de trabalho durante a implementação dos projectos, cujo foco está no reforço e reabilitação das redes de abastecimento existentes - fazendo face a situações de seca, cada vez mais comuns -, assim como no aumento do volume de águas residuais tratadas. Há também uma componente tecnológica, estando previsto um investimento em telegestão na ordem dos 20 milhões de euros.
Entre os projectos abrangidos por este plano de investimento estão, já em curso, as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Faro-Olhão ou de Companheira, em Portimão, bem como as Estações de Tratamento de Águas (ETA) de Vale da Pedra, no Cartaxo, e de Magra, em Beja.
Neste plano de investimento, onde o BEI assegura uma fatia 48%, cabe à Águas de Portugal financiar 39% do total. Os restantes 13% são oriundos de fundos comunitários, explicou João Nuno Mendes.

É indesculpável que em cada município não seja cristalino e transparente o custo com o sector da água e não o sejam também as receitas que estão associadas.
MATOS FERNANDES
Ministro do Ambiente


Investimento da AdP já está no terreno

Parte do investimento do grupo destina-se ao reforço ou recuperação da rede de abastecimento e de tratamento de águas.

880 INVESTIMENTO
O plano de investimento da Águas de Portugal até 2020 fixa-se nos 880 milhões de euros.

220 PRIMEIRA FASE
A primeira tranche do financiamento do BEI à Águas de Portugal é directo e foi definido nos 220 milhões.

200 SEGUNDA FASE
A segunda etapa deste empréstimo é feita indirectamente, financiando câmaras com dívidas à AdP.